No regresso à orbita do teu corpo, deslizo pela atmosfera perfumada de essências que a pele exala como vento vindo dum paraíso escondido nas entranhas do teu pequeno mundo. Mergulho, envolvendo-me no teu murmúrio que me chama, que me queima no atrito pleno de dois corpos celestes. Chego ofegante ao tocar-te com os meus dedos, tantas são as emoções que despertaste nesta descida aos céus da tua existência. Agora posso sentir o fresco que os teus poros sopram quando caminho suavemente pelos teus trilhos despidos. A maciez da tua volúpia é a contradição mais perfeita do silêncio que em gritos se agiganta no fundo aberto da tua garganta. Entro, resvalo nas paredes húmidas, mas os teus dedos seguram-me... Chove dentro de ti, um sabor doce de saliva que me envolve, que me abraça no calor dos teus lábios que me devoram.

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